“03:31…03:32 - O ponteiro marca lentamente. As horas não passam. A madrugada está mais fria do que o de costume. - 03:33…03:34 - Fecho os olhos na esperança de que acabem de uma vez os pensamentos em você. Tentativa em vão. Além do pensamento, agora chegam as lembranças. Lembranças que me agonizam. - 03:35 - Deslizo minha mão pelo aparelho de celular a minha frente. Dessa vez é diferente, eu não recusei a chamada. Um, dois, três toques. Não atenda…não atenda…não aten..Atendeu.
- Alô? - Sua voz rouca e sonolenta. Que saudades dela. Que saudades de você.
Silêncio.
- Alô? - Eu poderia ficar a noite toda só escutando esse seu alô. - Ok, irei desligar - Sinto sua frustação do outro lado da linha.
- Não - Sussurro, nem sei se escutou. - Estou…aqui - Falta me o ar.
- Ah, é você. - É claro que sou eu ou pelo menos, o que resta de mim.
- Sim - Pauso rapidamente - Desculpe ter te ligado a essa hora.
- Não, tudo bem - Dá para sentir, sentir seus lábios deixando abrir um sorriso torto em seu rosto - Como está?
- Estou bem - Queria dizer a ele que não estou bem e que não ficarei até ele voltar. - E você?
- Ah, também - Sinto a sua respiração daqui, está falha. Igual a minha.
- Que bom - Queria dizer a ele que não estou feliz por ele estar bem. É egoísmo, eu sei. Mas eu queria que ele sentisse a minha falta, assim como eu sinto a dele.
- Realmente - Sua voz ainda está sonolenta. Meu menino, deveria estar dormindo tão bonito, como um anjo. Queria dizer a ele que eu faria de tudo para estar ao lado dele neste momento. Mas deixo para lá, na esperança de que o não dito, caia no esquecimento. Mas não. O não dito não some. O não dito reaparece, nos atormenta. O não dito nos persegue. Silêncio. Um, dois, três minutos. Silêncio. Apenas silêncio. E de novo, o não dito, atormenta.
- Eu te amo. - Não foi apenas uma voz. Foram as duas, em perfeita sinfonia. Sim, ele ainda sente o mesmo.
- Espera - Não hesito em abrir um sorriso, talvez, o maior que eu tenha. - O que dissestes?
- Acabei de dizer que amo você. - A voz sonolenta dele agora tem mais reação. - E você, o que dissestes, pequena?
- Acabei de dizer que amo você - Repito sua fala. Eu consigo sentir, consigo sentir o sorriso se formando nos lábios dele.
Silêncio. Silêncio bom. Agora, só o que se escuta é as batidas aceleradas de nossos corações.
- Acho que deveriamos nos encontrar - Proponho a ele. Quero tanto vê-lo. Quero analisar cada detalhe perfeito desse menino imperfeito que tanto me faz bem.
- Acho que deveria abrir a porta. Estou a te esperar. - Uma batida na porta. Me levanto rapidamente e abro a mesma. Não acredito. É ele, ele mesmo.
- Volte e dessa fez para ficar. - Sussurro para ele.
- Nunca sai pequena. - Ele se aproxima e beija minha testa. E assim, as noites frias e solitárias ficam para trás. Só resta nós e o calor do nosso amor.”
“Tenta lidar melhor comigo, vai. Eu sei que eu sou chata e nem um pouquinho confiante quando o assunto é você… Mas se eu for embora, se eu estiver estranha ou com ciúme, não se afasta não. Gruda em mim. Diz tudo aquilo que eu quero ouvir, por favor. Porque eu não consigo nem fingir que sou forte se você arranjar um jeito de fugir daqui. Eu não consigo fingir que tô inteira se você fugir do que a gente é capaz de ser.”